30 de agosto de 2009

Aprendendo inglês pelo Twitter



Como usar esta nova tecnologia em seu benefício

Rômulo de Andrade Faria Consultor em Língua Inglesa do Diálogo Idiomas; Graduado em Letras – Português/Inglês – pela Universidade Braz Cubas, de Mogi das Cruzes – SP; Possui 10 anos de experiência como professor de Inglês.

Qual é o maior fenômeno da internet atualmente? Orkut? Facebook? You Tube? My Space? Todos esses websites já tiveram (ou ainda estão tendo) seu período de febre entre os usuários da rede mundial de computadores. Porém, nenhum deles pode ser comparado à crescente popularidade do Twitter “uma rede social e servidor para microblogging que permite aos usuários enviarem e lerem atualizações de outros contatos (em textos de até 140 caracteres, conhecidos como "tweets"), através da própria Web ou por SMS. As atualizações são exibidas no perfil do usuário em tempo real e também enviadas a outros usuários que tenham assinado para recebê-las”1.

Muitas pessoas ainda acreditam que o Twitter é apenas mais uma ferramenta utilizada por pessoas desocupadas, que passam o dia se divertindo à frente de um computador. Porém, não é preciso muita pesquisa para perceber que grandes empresas multinacionais também estão aderindo à febre e utilizando essa ferramenta para estreitar o contato com os clientes ou para aumentar sua publicidade. A Starbucks, por exemplo, praticamente aboliu a famosa “caixa de sugestões” e passou a receber as mensagens por meio dos seus seguidores online.

No ramo da educação, a situação é muito semelhante, pois por meio do Twitter é possível compilar em apenas uma página, mensagens recebidas diretamente de grandes empresas como a Revista Nova Escola, o IG Educação, o BBC Education, o Education.com, o Discovery Education e até mesmo do site Planeta Educação (com suas novidades postadas em tempo real). Dessa forma, o professor poupará o tempo gasto para pesquisar notícias, planos de aula, dicas de pronúncia, artigos etc., pois passará a recebê-los diretamente na sua página de entrada.

Outra ótima indicação é o Twitter do site Tecla SAP, que conta com a colaboração de nomes como Jack Scholes, Ron Martinez e José Roberto A. Igreja, postando diariamente conteúdos relacionados a falsos cognatos, gírias, expressões idiomáticas, phrasal verbs, erros comuns ou exercícios. Todos os dias aprendo algo novo com esse pessoal. Aliás, acabei de descobrir que “Engineer”, além de significar “Engenheiro”, também representa outra profissão não tão comum. Para descobrir o outro significado dessa palavra, acesse o Twitter ou o site oficial do “Tecla SAP” e confira.

Com essas rápidas sugestões de contatos via Twitter, ampliaremos nossas oportunidades de crescimento como professores da língua, compartilhando informações e conhecimentos com pessoas de todo o Brasil e, quem sabe, de todo o mundo. Para uma breve explicação sobre o que é o Twitter, veja o vídeo Twitter in Plain English


e também o artigo "Na trilha do Twitter", no Blog "Escolhendo a Pílula Vermelha".

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1 Texto retirado do site www.wikipedia.com

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br

28 de agosto de 2009

Pierre Lévy: para entender a internet, não é preciso dominar a última ferramenta da moda

Pensador francês palestrou na tarde desta segunda-feira na PUCRS


Considerado um dos principais pensadores da cultura digital, o filósofo francês Pierre Lévy palestrou nesta segunda-feira no Fórum de Internet Corporativa, na PUCRS. Lévy, que tornou-se conhecido ao lançar a expressão "inteligência coletiva" nos anos 1990 para projetar a evolução do conhecimento humano conectado por redes, defende que "o mundo das ideias é extremamente rico e complexo, até mais que a biosfera".


O pensador apresentou sua visão das etapas evolutivas da internet. Para ele, estamos em um estágio que alguns chamam de "web 2.0" ou de "mídias sociais", em que importa menos saber usar as ferramentas e mais participar do movimento coletivo de invenção. Diante da ansiedade que a necessidade de se manter atualizado sobre as últimas novidades em mídias sociais, Lévy pondera:

— Não se trata de aprender a última coisa na moda, mas sim de entender que a cada 15 dias teremos uma nova coisa. Não podemos saber tudo, temos que aprender o que é interessante para nós. Estamos nadando na inteligência coletiva.

Para o pensador francês, após uma era de simples "links" entre páginas na rede, começa-se a prestar atenção a questões como a categorização social de conteúdo na rede, a multiplicidade de idiomas dos conteúdos, o uso de tags (etiquetas que definem o tema de um conteúdo). Como máquinas e usuários podem encontrar e organizar tantas informações? A próxima etapa da evolução da internet seria rumo à "web semântica", que atingiria seu ápice em 2015.

— Em geral, as ideias não foram feitas para ser processadas automaticamente por máquinas. Elas existem para ser tratadas social e emocionalmente por cérebros humanos. Minha proposta é codificar ideias e conceitos de modo que os significados possam ser manipulados automaticamente por computadores.

Apesar de defender a internet como promotora de uma revolução cultural, Lévy não deixou de lembrar que aspectos muito importantes da vida seguirão sem participar do mundo digital:

— Nem tudo vai acontecer no ciberespaço. Teremos sempre de ir ao dentista, e não podemos ir ao banheiro virtualmente.

A palestra foi transmitida ao vivo pelo blog Infosfera. Confira trechos:

[Ao vivo] Palestra de Pierre Lévy na PUCRS

Fontes:
Jornal ZERO HORA
Blog Info

25 de agosto de 2009

Antonio Carlos Xavier e Charles Bazerman em Bate-Papo acadêmico



Os professores Antonio Carlos Xavier (Nehte/UFPE) e Charles Bazerman (University of California, Santa Barbara - EUA) discutem, nesta quinta-feira, sobre “Speech Acts, Genres and Activity Systems

O Bate-Papo Acadêmico é uma iniciativa aberta ao público e promovida pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco.

Programação

Dia 26/08/09
Bate-Papo Acadêmico com Charles Bazerman sobre “Kairos: Rhetorical Timelines and Rhetorical Situation”
Local: Miniauditório 1 – CAC
Horário: 10h30

Dia 27/08/09
Bate-Papo Acadêmico com Charles Bazerman e Antônio Carlos Xavier sobre “Speech Acts, Genres and Activity Systems”
Local: Miniauditório 1 – CAC
Horário: 10h30

Bate-Papo Acadêmico com Christian Lehmann (Universität Erfurt – Alemanha) sobre “O valor de uma língua” (Palestra em Português)
Local: Sala 46 – 1andar - CAC
Horário: 14h

22 de agosto de 2009

Tudo o que você precisa saber sobre Twitter



Download do e-book em resolução:

baixa 3 MB
média 6 MB
alta 10 MB.

Release Oficial

O que é Twitter? Para que serve? Por que todo mundo só fala nele? Como fazer parte da tuitosfera? Essas dúvidas que muita gente tem, mas não sabia para quem perguntar, agora já podem ser respondidas. Elas estão no primeiro guia online sobre a ferramenta. “Tudo o que você precisa saber sobre Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)” foi lançado pela Talk Interactive nesta segunda-feira (10/08) por meio do Twitter, é claro (http://www.twitter.com/lets_talk). O conteúdo ficará disponível na internet sob licença Creative Commons, permitindo que qualquer pessoa leia, repasse e ajude a atualizar o livro colaborativamente.

Com 46 capítulos, o livro é dividido em três categorias: Tudo o que você precisa saber; Negócios, jornalismo e política; Uso avançado do Twitter. Trata-se de um manual prático com orientações sobre como encontrar pessoas, o que é seguir e ser seguido e como o serviço pode ser utilizado de forma simples e eficiente. “O Twitter está crescendo muito no Brasil. Cada vez mais, novos usuários entram nesta rede, aumentando sua relevância. Mas as dúvidas sobre o Twitter ainda são muitas. Por isso tivemos a idéia de produzir um manual prático. O material vai ajudar muita gente”, diz Luiz Alberto Ferla (@ferla), CEO da Talk Interactive.

Segundo Ferla, o conteúdo tem ainda importantes dicas para quem deseja utilizar a ferramenta para fins corporativos e até para ações em campanhas políticas.

“O livro vai do básico ao avançado, abrangendo todos os níveis de conhecimento a respeito da ferramenta”

A idéia do livro surgiu e foi desenvolvida dentro da Talk a partir das dúvidas que muitas pessoas têm em entender essa ferramenta e também sobre a dificuldade de muitos tuiteiros em definir o serviço.

“É difícil explicar o que é o Twitter para alguém com noções básicas de uso da Web. Você pode, por aproximação, dizer que é uma mistura de blog e MSN ou pode ser específico e falar que é uma ferramenta para micro-blogagem baseada em uma estrutura assimétrica de contatos, no compartilhamento de links e na possibilidade de busca em tempo real, mas dificilmente isso convencerá o seu interlocutor a usar o serviço”, diz Juliano Spyer (@jasper), redator da obra e integrante do time da Talk.

Prefácio colaborativo

Com mais de 200 mil seguidores no Twitter, ninguém melhor do que Marcelo Tas para prefaciar um livro sobre a ferramenta. Mas a condição para aceitar o convite foi a de que os internautas também participassem da discussão para melhor definir o que é o serviço. Dessa colaboração nasceram pérolas como:
- O Twitter é para o mundo o que a praça é para uma cidadezinha. @_Jeyson
- O Twitter é como pátio de hospício, cada um falando “sozinho”, eventualmente alguém responde. @saintbr
- Não consegui explicar até hoje para o meu chefe. @joycemescolotte
- O Twitter é uma maquininha de cutucar corações e mentes na velocidade da luz. Em 140 toques ou menos, a imaginação é o limite. @marcelotas

Dados do livro

Título: Tudo o que você precisa saber sobre o Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)
Criação: Talk Interactive
Páginas: 110
Licença: Creative Commons
Classificação: Twitter, redes sociais, Web, comunicação, tecnologia.

20 de agosto de 2009

O português no Enem

Revista Língua Portuguesa - EDIÇÃO 46 - 08/2009

Mudanças promovidas pelo MEC têm impacto nas provas que medem desenvoltura dos estudantes com a linguagem

por Adriana Natali

A partir deste ano, o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, será diferente. Ele servirá como processo seletivo para ingresso nas universidades e nos institutos federais. E as mudanças nas questões envolvendo linguagem serão um dos seus pilares.

A expectativa do MEC é que todas as instituições federais adotem, de alguma forma, o novo Enem como seleção. Mais de 3 milhões de estudantes de todo o país farão o exame, marcado para 4 e 5 de outubro.

Até agora, 42 das 55 universidades federais já declararam usar o Enem de alguma forma como ferramenta de seleção para ingresso. Algumas já adotam o exame para selecionar um percentual de suas vagas, ficando a aplicação de vestibulares como critério para vagas restantes. Há universidades que adotam o Enem só para filtrar candidatos menos preparados em uma primeira fase, o "peneirão", e usam seus vestibulares tradicionais na segunda e definitiva fase seletiva.

Até 2008, o Enem era uma prova clássica com 63 questões interdisciplinares, sem articulação direta com os conteúdos ministrados no ensino médio e sem a possibilidade de comparação das notas de um ano para outro. A proposta do MEC é que o exame possa ser comparável no tempo e aborde diretamente o currículo do ensino médio.

Cotidiano

O exame será composto por perguntas objetivas em quatro áreas do conhecimento e suas tecnologias: linguagens e códigos; ciências humanas; ciências da natureza, e matemática. Cada grupo de testes será composto por 45 itens de múltipla escolha, aplicados em dois dias.

Ver o Enem como se fosse vestibular é um jeito de o MEC sinalizar outro tipo de formação ao ensino médio, voltada para a solução de problemas em vez do mero acúmulo de conteúdo. Para Marcia Molina, coordenadora de letras da Unisa, o exame passa a avaliar e forçar o ensino básico a trabalhar conteúdos de linguagens atuais e próximos do cotidiano do educando.

- O fato é que, cedo ou tarde, o Enem será usado, desde que devidamente aperfeiçoado. Isso porque parece mais cômodo para as universidades transferir toda a responsabilidade de um complexo processo de organização e gerenciamento de um vestibular. Além dos problemas logísticos como inscrições de candidatos, elaboração, produção, impressão e aplicação de provas, há o cuidado redobrado com a segurança para manter a lisura em todas as partes do processo - afirma Antonio Carlos Xavier, da Universidade Federal de Pernambuco.

Efeitos

Doutora em linguística e professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Jane Quintiliano afirma que este é um momento em que se assiste a um movimento, na educação, que promoverá uma série de efeitos que não se limita aos exames de vestibular do país, que ainda apostam em práticas avaliativas.

- Haverá, em grau maior ou menor, uma redefinição no dia a dia da escola, em seus objetos de ensino e aprendizagem e, por extensão, isso chegará aos cursinhos preparatórios para o vestibular. Essa mudança desenha novo ensino, professor e perfil de aluno. O conteúdo passa a ser tratado como um objeto a ser aprendido, a ser apropriado pelo aluno como um conhecimento que se presta a uma finalidade, que prevê um uso social, contextualizado no quadro de uma situação-problema - explica.

A consequência direta desse raciocínio é que os critérios de avaliação de língua portuguesa e redação do Enem seguem a tendência de medir competências e habilidades, não tanto a terminologia dominante nos estudos de gramática. Interessa desenvolver o que está sendo tomado como objeto de conhecimento ou de aprendizagem. Isso implicará uma avaliação que não priorize a mera identificação, decodificação, classificação e nomeação dos fenômenos e objetos estudados, mas privilegie o raciocínio, a análise, a interpretação, as inferências, em que o aluno deve ter a informação e saber como operá-la conforme a situação em que ela se inscreve.

Enunciação

A ênfase, nas provas específicas, será no uso dado à língua portuguesa nas mais diversas situações de comunicação. Serão analisados o texto e o evento comunicativo que o atualiza, ou seja, os enunciados que o compõem. Os elementos linguísticos, textuais, enunciativos, discursivos e conceituais deverão ser lidos e analisados tendo em vista as condições de produção e recepção do texto em exame.

- Sob esse enfoque, a língua portuguesa ganha vida no texto, na enunciação. O seu trabalho de análise não deve ser aquele pautado por uma orientação metalinguística, em que se privilegia um saber gramatical apartado de outros saberes comunicativos, discursivos, pragmáticos - afirma Jane Quintiliano, professora da PUC-MG.

Nas provas objetivas, de marcar "x", os conhecimentos do léxico da língua portuguesa e das relações lógico-semânticas, e a capacidade de realizar cálculos pragmáticos para descobrir a intenção dos autores de textos orais e escritos, também serão cobrados com maior intensidade do candidato. O aluno deve dominar os vários mecanismos sintáticos e saber como utilizar adequadamente os sinais de pontuação, as formas de concordâncias verbal e nominal, os aspectos e modos de conjugação dos verbos, elementos de referência pessoal, espacial e temporal, pois tudo isso será objeto de avaliação na prova.

- Certamente não serão pedidas as nomenclaturas desses fenômenos, mas seu funcionamento na língua. Essa é uma das principais virtudes do Enem e que terá continuidade a ponto de desencorajar aulas de português centradas na mecanização de regras sem uma compreensão da sua verdadeira funcionalidade - opina Xavier, da UFPE.

Já a redação deverá ser estruturada na forma de texto em prosa do tipo dissertativo-argumentativo, a partir de um tema de ordem social, científica, cultural ou política. Diminui, assim, a possibilidade de o candidato contar com uma preparação focada numa diversidade de gêneros de texto, como narrativas e cartas (dirigida a interlocutor específico, diferentemente da dissertação argumentativa, que se dirige a interlocutor genérico, universal).

- Nesse sistema de avaliação, prevê-se um aluno cuja vida acadêmica tenha lhe proporcionado o desenvolvimento de uma competência discursiva que o capacite a se constituir usuário da língua e dos discursos que o cercam. Portanto, desenha-se um sujeito dotado de uma autonomia, de uma reflexão, de uma posição responsiva, dialógica com a sua fala e a fala dos outros com quem interage - explica Jane Quintiliano.

Atenção

Os critérios para a avaliação da redação, aplicados pelos professores de português selecionados pelo Enem, foram baseados nas cinco competências da prova objetiva (dominar linguagens, conhecer fenômenos, enfrentar situações-problema, construir argumentação e elaborar propostas de solução levando em conta os direitos humanos e a diversidade sociocultural).

Cada uma dessas competências corresponde a um dos cinco aspectos esperados no texto. Assim, o candidato deve compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema na estrutura de um texto dissertativo-argumentativo; demonstrar domínio do padrão da língua; selecionar, relacionar, interpretar e organizar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista; demonstrar que sabe usar os mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação, e elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

Para Lílian Ghiuro Passarelli, professora de português da PUC-SP, o candidato atento, que lê com atenção toda a proposta, terá à disposição as informações de que necessita para produzir seu texto e os critérios com os quais será avaliado. No caso da PUC-SP, as propostas são construídas com textos que devem ser contemplados pelo candidato ao produzir sua redação. Isso implica que o aproveitamento da "conversa" entre os textos geradores da proposta é um dos critérios de avaliação. De acordo com o tratamento que o estudante confere à articulação das ideias presentes nos textos de apoio, com mais ou menos espírito crítico, a pontuação pode oscilar.

- Outro critério costuma ser a adequação do texto ao desenvolvimento do tema. Se, por exemplo, for solicitada a produção de texto dissertativo-argumentativo com base em tema gerado pelos textos de apoio, a estrutura da redação tem de se apresentar compatível com esse tipo de texto. O uso da norma culta também é um critério que não se restringe apenas à correção gramatical, mas ao uso adequado de estilo ou registro, com propriedade de termos e construções frásicas, de acordo com a situação discursiva. E a presença do título tem de ser adequada ao texto - explica Passarelli.

Desde a criação do Enem, em 1998, o desempenho dos candidatos a universitários em provas de língua portuguesa e redação é o que mais preocupa os professores. Dados de 2008 mostram que a média geral nas provas objetivas, considerando alunos de escolas públicas e privadas, foi de 41,69, numa escala de 0 a 100 pontos. Em redação, a média ficou em 59,35 pontos. Esses resultados não são diferentes dos observados nas avaliações dos anos anteriores.

Desempenho

Nas provas de língua portuguesa, com questões objetivas, o problema mais comum se refere à compreensão de leitura da pergunta e dos textos usados como exemplo. Quanto à prova de redação, tem havido muita repetição de fórmula, como se o ensino de produção textual fosse pré-moldado.

Um dos problemas de natureza gramatical que parece ter aumentado foi a acentuação ortográfica, o que deve se agravar com a adoção do novo acordo ortográfico. Há estudantes que, na dúvida (ou na "certeza" de que os acentos "caíram"), não acentuam praticamente nada. Um ponto que também aflige é a ortografia errada de palavras que estão presentes nos enunciados da prova. Problemas de paralelismo sintático e semântico são bastante comuns.

- Entre tantas ocorrências, um problema comum é o título dado pelos candidatos a suas redações. Além de muitos não "batizarem" seu texto, há os que até o batizam, mas por vezes a obviedade é tanta que o título acaba não cumprindo seu papel de dar a conhecer o que será tratado no texto. Há casos em que o título até se apresenta em adequação ao texto produzido, mas é tão lugar-comum que a carga de informação que ele deveria oferecer acaba praticamente nula - afirma Lílian Passarelli.

Teoria e prática

Ao final do ensino médio, prevê-se que o aluno compreenda e use um registro da língua portuguesa adequado às mais diversas situações de comunicação das quais participa como produtor e ouvinte ou leitor.

A construção dessa competência pressupõe, pelo aluno, o uso de diferentes habilidades, como avaliar a situação de comunicação - quem são os interlocutores, o propósito do texto, seu conteúdo temático, o objetivo em mente, os efeitos que se pretende alcançar, o gênero de discurso em cena - selecionar a variedade de língua que se mostra eficaz à situação de comunicação, o estilo a ser empregado, e planificar o texto. Em outras palavras, o que está em jogo são os saberes ou os conhecimentos relativos aos modos de agir discursivamente em uma comunidade.

- É preocupante que grande parte dos textos produzidos em vestibular dá-nos um retrato das práticas de escrita no mundo escolar: são esvaziadas de sentido, pois não remetem a situações de escrita que se aproximam das práticas discursivas de nossa sociedade. Os candidatos parecem não lidar, no curso de sua produção escrita, com um projeto de dizer, traçado, muitas vezes, na proposição da tarefa - diz Jane Quintiliano.

Everaldo Pinheiro, professor de literatura da Universidade São Judas Tadeu, lamenta os analfabetos funcionais.

- Os alunos escrevem e leem, mas não interpretam o que leem e não dão sentido ao que escrevem. A função do Enem é forçar as escolas a uma postura de eficiência no conhecimento da língua portuguesa e de sua estrutura - explica.

A falta de compreensão e os problemas de desenvolvimento textuais têm sido graves, diz Carlos Augusto Andrade, pró-reitor de graduação da Universidade Cruzeiro do Sul.

- Há redações que não traduzem o mínimo de coerência e pertinência ao tema proposto. Muitas são escritas numa variante coloquial, com incidência da modalidade oral e não respeitando o contexto de produção que exige linguagem mais apurada. Percebe-se falta de conhecimento de mundo e os conhecimentos de estruturação textuais - explica.

Dificuldades

O reitor da Universidade de Sorocaba, Aldo Vannucchi, coleciona exemplos de tropeços em vestibulares. Há muitas marcas da oralidade (treis, vamo...); dificuldade de distinguir os gêneros dos textos (descritivo, narrativo, dissertativo); de organizar e dar coesão ao texto.

- Os candidatos revelam, em geral, dificuldades no domínio das regras da norma culta. Na redação, faltam aprofundamento do tema, concatenação dos parágrafos e pontuação. Poucos alunos reveem, corrigem e aprimoram o que escrevem - diz.

Antonio Carlos Xavier, da UFPE, fez pesquisa, em 2005, com um grupo de 50 professores de português, pois acreditava que muitos deles não dominavam aquilo que ensinavam: a produção de texto. - Descobri que a falta de prática levou muitos deles a perder a habilidade de escrever. Grande parte dos nossos universitários sai dos cursos de letras e pedagogia sem dominar aquilo que lecionam e essa falha se perpetua em toda a sua vida profissional. A consequência é o excesso de aulas de gramática e os escassos momentos para a produção de texto. Quando solicitada, faz-se de forma inadequada, instruindo o aluno a escrever sobre um tema às vezes desconhecido para ele. A escrita não é precedida por uma discussão oral sobre o tema nem pela leitura de textos que o abordem. É preciso subsidiar o aluno de informação para que possa construir um texto com um mínimo de qualidade, pertinência e relevância - explica.
Investimentos

Para Roberto Baronas, professor do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é necessário um investimento político e financeiro na formação não apenas continuada, mas, principalmente, permanente dos nossos professores. Esse investimento implicaria, por exemplo, mobilizar de forma efetiva as contribuições das mais diversas ciências da linguagem para se pensar o ensino de português e de redação na escola.

- Enquanto a escola estiver presa a uma abordagem estritamente gramatical, que não considera o uso e o funcionamento discursivo da língua, nossos alunos continuarão com baixo desempenho escolar - afirma.

Reestruturação

Professora do curso de Letras da Universidade Anhembi Morumbi, Débora Malletezarim de Angelo concorda que é preciso haver uma maior valorização da categoria.

- Valorizar a profissão de professor e formar profissionais dispostos a estudar sempre, e não apenas no período da graduação, é uma das formas de melhorar a qualidade do ensino nas escolas - afirma.

Segundo o MEC, reestruturar o Enem para usá-lo como prova unificada evidencia o papel que o exame já cumpre. Em 11 edições, a procura pelo Enem subiu de 150 mil para mais de 4 milhões de inscritos, sendo que mais de 70% dos participantes afirmam que fazem a prova com o objetivo maior de chegar à faculdade.

Um inconveniente que o MEC quer contornar com o novo modelo é a descentralização dos processos seletivos, que favorece candidatos com maior poder aquisitivo, capazes de diversificar suas opções na disputa por uma vaga. Por outro lado, restringe a capacidade de recrutamento pelas universidades públicas, desfavorecendo aquelas localizadas em centros menores. Outra característica nociva do vestibular tradicional é a maneira como ele acaba por orientar o currículo do ensino médio.

Se a iniciativa do MEC terá adesão de todas as instituições, é cedo para dizer. Seja qual for o futuro do exame, dizem os especialistas, os temas de português e a redação serão alvo de atenção redobrada e mudanças, que têm tudo para ser benéficas.

18 de agosto de 2009

Mídia e livros eletrônicos ganham cada vez mais espaço entre leitores



Você vai descobrir que livros, jornais e revistas podem ter encontrado um competidor à sua altura. Cada vez mais gente lê textos no laptop, no celular, e já há quem use livros eletrônicos.

Fonte: Globo News - Programa Espaço Aberto

17 de agosto de 2009

Cybergeração Os desafios na sala de aula


Patrícia Melo diz que percebe melhora no desempenho da filha Aylla Torga, 12 anos, depois que ela passou a utilizar o notebook no colégio. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

EDUCAÇÃO // Escolas enfrentam a árdua tarefa de reencontrar o propósito das novas tecnologias nos projetos pedagógicos

Thiago Marinho
thiagomarinho.pe@diariosassociados.com.br

A sala de aula mudou. Se por um lado o quadro-negro, as cadeiras e os professores continuam no mesmo lugar, por outro a nova geração de alunos vive uma realidade completamente diferente daquela baseada em brincadeiras de giz e de bolinhas de papel de dez anos atrás.

Os estudantes agora têm celular, tocador de MP3 e repertório de vida muito mais complexo. Resultado das novas possibilidades proporcionadas pela internet - seja na interação das redes sociais ou no conhecimento encontrado nos sites de buscas e nas enciclopédias virtuais. Será, então, que as instituições de ensino, muitas vezes antigas em sua maneira de ser, conseguem motivar esta cybergeração?

Para o diretor do colégio Neo Planos, Walewsky Lima, a resposta é sim. Desde que a escola tente se adaptar às novidades e utilizá-las como ferramentas. No ano passado, a instituição decidiu quebrar paradigmas e ser uma das primeiras no estado a pedir um notebook na lista de material. "Tentamos mudara lógica tradicional e colocar os alunos em primeiro plano, transformando os professores em orientadores", explica Lima, que dá aulas de geografia e pede para os próprios estudantes montarem apresentações no PowerPoint sobre meridianos e dezenas de outros assuntos. "Eles passam a se interessar mais e a participar ativamente da construção das aulas", completa.

Walewsky cita o caso da estudante Aylla Torga, de 12 anos, que cursa o sétimo ano na escola e utiliza o notebook em sala desde o início do ano. A mãe, a secretária Patrícia Melo, não sabe explicar ao certo todas as mudanças sofridas pela filha, mas nota uma melhora impressionante na desenvoltura da mesma nos últimos meses. "Aylla consegue interagir melhor em casa, com os amigos e com os trabalhos escolares", afirma ela, que diz que com isso passou a dar mais importância ao uso de tecnologia no colégio.

"Já ouve um tempo em que os computadores eram vistos apenas como mais uma ação de marketing pelos colégios. Eles mantinham laboratórios de informática porque poderiam atrair mais alunos, mas isso mudou", opina a educadora Vancleide Jordão, que presta consultoria a diversos centros de ensino pernambucanos para que eles utilizem melhor as novidades eletrônicas. Ela ajudou a montar, por exemplo, a equipe de robótica do Colégio Apoio, tricampeã regional na criação de robôs por estudantes.

Uma das primeiras a participar do grupo, em 2006, a adolescente Gabriela Melo, de 17 anos, fala muito bem da experiência. "Aprendi a manter foco e meta nos estudos, para não atrapalhar os resultados", conta a jovem, que viajou três vezes ao exterior entre 2007 e 2009 para participar das finais mundiais das competições. "A robótica a ajudou a saber em que área queria atuar profissionalmente e a aprender diversas habilidades", concorda a mãe, a aposentada Márcia Andrade.

Soluções - De olho nesse potencial, um grupo de empresários pernambucanos criou a E-duc, primeira empresa local voltada para inovação em sala de aula. "Estas novidades precisam ser vistas como uma questão de sobrevivência. Uma criança de três anos mexe no computador do pai porque acha aquela máquina atrativa. Então, se você consegue usar isso no aprendizado dela, você verá uma motivação muito maior", pontua o sócio Cláudio de Castro, que em um ano e meio já contabiliza faturamento de R$ 9 milhões e contratos em 10 estados, incluindo projetos para a iniciativa pública e privada.

Entre as soluções, está a chamada sala de aula do futuro, um espaço protótipo que reúne todas as soluções oferecidas pela companhia - desde a instalação de lousas eletrônicas até o uso de computadores individuais e de softwares educativos. "Ainda existe uma certa resistência de algumas escolas em adotar novos equipamentos. Mas isso vem mudando por causa da exigência dos próprios pais e alunos. Se antes a tecnologia estava vinculada ao status, hoje ela existe por causa da preocupação com o ensino", completa ele.

Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/08/12/info1_0.asp

15 de agosto de 2009

Game da Reforma Ortográfica


A FMU, em parceria com a Retoque Comunicação e o LivroClip, apresenta o Game da Reforma Ortográfica, uma maneira interativa e divertida de aprender mais sobre as novas regras da língua portuguesa.

Confira o game abaixo e aproveite para conhecer mais sobre as alterações da reforma ortográfica.



Fonte: http://www.fmu.br/game/home.asp

14 de agosto de 2009

Demais vídeos da série

Assista aos demais vídeos da série de reportagens especiais, produzidas pela equipe de jornalismo da TV Jornal, sobre o papel e a influência da internet na vida dos estudantes pernambucanos.





11 de agosto de 2009

Coordenador do Nehte fala sobre Língua Portuguesa e Enem para a Revista Língua Portuguesa


O português no Enem

Mudanças promovidas pelo MEC têm impacto nas provas que medem desenvoltura dos estudantes com a linguagem

por Adriana Natali

A partir deste ano, o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, será diferente. Ele servirá como processo seletivo para ingresso nas universidades e nos institutos federais. E as mudanças nas questões envolvendo linguagem serão um dos seus pilares.

A expectativa do MEC é que todas as instituições federais adotem, de alguma forma, o novo Enem como seleção. Mais de 3 milhões de estudantes de todo o país farão o exame, marcado para 4 e 5 de outubro.

Até agora, 42 das 55 universidades federais já declararam usar o Enem de alguma forma como ferramenta de seleção para ingresso. Algumas já adotam o exame para selecionar um percentual de suas vagas, ficando a aplicação de vestibulares como critério para vagas restantes. Há universidades que adotam o Enem só para filtrar candidatos menos preparados em uma primeira fase, o "peneirão", e usam seus vestibulares tradicionais na segunda e definitiva fase seletiva.

Até 2008, o Enem era uma prova clássica com 63 questões interdisciplinares, sem articulação direta com os conteúdos ministrados no ensino médio e sem a possibilidade de comparação das notas de um ano para outro. A proposta do MEC é que o exame possa ser comparável no tempo e aborde diretamente o currículo do ensino médio.

Cotidiano

O exame será composto por perguntas objetivas em quatro áreas do conhecimento e suas tecnologias: linguagens e códigos; ciências humanas; ciências da natureza, e matemática. Cada grupo de testes será composto por 45 itens de múltipla escolha, aplicados em dois dias.

Ver o Enem como se fosse vestibular é um jeito de o MEC sinalizar outro tipo de formação ao ensino médio, voltada para a solução de problemas em vez do mero acúmulo de conteúdo. Para Marcia Molina, coordenadora de letras da Unisa, o exame passa a avaliar e forçar o ensino básico a trabalhar conteúdos de linguagens atuais e próximos do cotidiano do educando.

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O fato é que, cedo ou tarde, o Enem será usado, desde que devidamente aperfeiçoado. Isso porque parece mais cômodo para as universidades transferir toda a responsabilidade de um complexo processo de organização e gerenciamento de um vestibular. Além dos problemas logísticos como inscrições de candidatos, elaboração, produção, impressão e aplicação de provas, há o cuidado redobrado com a segurança para manter a lisura em todas as partes do processo - afirma Antonio Carlos Xavier, da Universidade Federal de Pernambuco.

Efeitos

Doutora em linguística e professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Jane Quintiliano afirma que este é um momento em que se assiste a um movimento, na educação, que promoverá uma série de efeitos que não se limita aos exames de vestibular do país, que ainda apostam em práticas avaliativas.

- Haverá, em grau maior ou menor, uma redefinição no dia a dia da escola, em seus objetos de ensino e aprendizagem e, por extensão, isso chegará aos cursinhos preparatórios para o vestibular. Essa mudança desenha novo ensino, professor e perfil de aluno. O conteúdo passa a ser tratado como um objeto a ser aprendido, a ser apropriado pelo aluno como um conhecimento que se presta a uma finalidade, que prevê um uso social, contextualizado no quadro de uma situação-problema - explica.

A consequência direta desse raciocínio é que os critérios de avaliação de língua portuguesa e redação do Enem seguem a tendência de medir competências e habilidades, não tanto a terminologia dominante nos estudos de gramática. Interessa desenvolver o que está sendo tomado como objeto de conhecimento ou de aprendizagem. Isso implicará uma avaliação que não priorize a mera identificação, decodificação, classificação e nomeação dos fenômenos e objetos estudados, mas privilegie o raciocínio, a análise, a interpretação, as inferências, em que o aluno deve ter a informação e saber como operá-la conforme a situação em que ela se inscreve.

Enunciação

A ênfase, nas provas específicas, será no uso dado à língua portuguesa nas mais diversas situações de comunicação. Serão analisados o texto e o evento comunicativo que o atualiza, ou seja, os enunciados que o compõem. Os elementos linguísticos, textuais, enunciativos, discursivos e conceituais deverão ser lidos e analisados tendo em vista as condições de produção e recepção do texto em exame.

- Sob esse enfoque, a língua portuguesa ganha vida no texto, na enunciação. O seu trabalho de análise não deve ser aquele pautado por uma orientação metalinguística, em que se privilegia um saber gramatical apartado de outros saberes comunicativos, discursivos, pragmáticos - afirma Jane Quintiliano, professora da PUC-MG.

Nas provas objetivas, de marcar "x", os conhecimentos do léxico da língua portuguesa e das relações lógico-semânticas, e a capacidade de realizar cálculos pragmáticos para descobrir a intenção dos autores de textos orais e escritos, também serão cobrados com maior intensidade do candidato. O aluno deve dominar os vários mecanismos sintáticos e saber como utilizar adequadamente os sinais de pontuação, as formas de concordâncias verbal e nominal, os aspectos e modos de conjugação dos verbos, elementos de referência pessoal, espacial e temporal, pois tudo isso será objeto de avaliação na prova.

- Certamente não serão pedidas as nomenclaturas desses fenômenos, mas seu funcionamento na língua. Essa é uma das principais virtudes do Enem e que terá continuidade a ponto de desencorajar aulas de português centradas na mecanização de regras sem uma compreensão da sua verdadeira funcionalidade - opina Xavier, da UFPE.

Já a redação deverá ser estruturada na forma de texto em prosa do tipo dissertativo-argumentativo, a partir de um tema de ordem social, científica, cultural ou política. Diminui, assim, a possibilidade de o candidato contar com uma preparação focada numa diversidade de gêneros de texto, como narrativas e cartas (dirigida a interlocutor específico, diferentemente da dissertação argumentativa, que se dirige a interlocutor genérico, universal).

- Nesse sistema de avaliação, prevê-se um aluno cuja vida acadêmica tenha lhe proporcionado o desenvolvimento de uma competência discursiva que o capacite a se constituir usuário da língua e dos discursos que o cercam. Portanto, desenha-se um sujeito dotado de uma autonomia, de uma reflexão, de uma posição responsiva, dialógica com a sua fala e a fala dos outros com quem interage - explica Jane Quintiliano.

Atenção

Os critérios para a avaliação da redação, aplicados pelos professores de português selecionados pelo Enem, foram baseados nas cinco competências da prova objetiva (dominar linguagens, conhecer fenômenos, enfrentar situações-problema, construir argumentação e elaborar propostas de solução levando em conta os direitos humanos e a diversidade sociocultural).

Cada uma dessas competências corresponde a um dos cinco aspectos esperados no texto. Assim, o candidato deve compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema na estrutura de um texto dissertativo-argumentativo; demonstrar domínio do padrão da língua; selecionar, relacionar, interpretar e organizar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista; demonstrar que sabe usar os mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação, e elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

Para Lílian Ghiuro Passarelli, professora de português da PUC-SP, o candidato atento, que lê com atenção toda a proposta, terá à disposição as informações de que necessita para produzir seu texto e os critérios com os quais será avaliado. No caso da PUC-SP, as propostas são construídas com textos que devem ser contemplados pelo candidato ao produzir sua redação. Isso implica que o aproveitamento da "conversa" entre os textos geradores da proposta é um dos critérios de avaliação. De acordo com o tratamento que o estudante confere à articulação das ideias presentes nos textos de apoio, com mais ou menos espírito crítico, a pontuação pode oscilar.

- Outro critério costuma ser a adequação do texto ao desenvolvimento do tema. Se, por exemplo, for solicitada a produção de texto dissertativo-argumentativo com base em tema gerado pelos textos de apoio, a estrutura da redação tem de se apresentar compatível com esse tipo de texto. O uso da norma culta também é um critério que não se restringe apenas à correção gramatical, mas ao uso adequado de estilo ou registro, com propriedade de termos e construções frásicas, de acordo com a situação discursiva. E a presença do título tem de ser adequada ao texto - explica Passarelli.

Desde a criação do Enem, em 1998, o desempenho dos candidatos a universitários em provas de língua portuguesa e redação é o que mais preocupa os professores. Dados de 2008 mostram que a média geral nas provas objetivas, considerando alunos de escolas públicas e privadas, foi de 41,69, numa escala de 0 a 100 pontos. Em redação, a média ficou em 59,35 pontos. Esses resultados não são diferentes dos observados nas avaliações dos anos anteriores.

Desempenho

Nas provas de língua portuguesa, com questões objetivas, o problema mais comum se refere à compreensão de leitura da pergunta e dos textos usados como exemplo. Quanto à prova de redação, tem havido muita repetição de fórmula, como se o ensino de produção textual fosse pré-moldado.

Um dos problemas de natureza gramatical que parece ter aumentado foi a acentuação ortográfica, o que deve se agravar com a adoção do novo acordo ortográfico. Há estudantes que, na dúvida (ou na "certeza" de que os acentos "caíram"), não acentuam praticamente nada. Um ponto que também aflige é a ortografia errada de palavras que estão presentes nos enunciados da prova. Problemas de paralelismo sintático e semântico são bastante comuns.

- Entre tantas ocorrências, um problema comum é o título dado pelos candidatos a suas redações. Além de muitos não "batizarem" seu texto, há os que até o batizam, mas por vezes a obviedade é tanta que o título acaba não cumprindo seu papel de dar a conhecer o que será tratado no texto. Há casos em que o título até se apresenta em adequação ao texto produzido, mas é tão lugar-comum que a carga de informação que ele deveria oferecer acaba praticamente nula - afirma Lílian Passarelli.

Teoria e prática

Ao final do ensino médio, prevê-se que o aluno compreenda e use um registro da língua portuguesa adequado às mais diversas situações de comunicação das quais participa como produtor e ouvinte ou leitor.

A construção dessa competência pressupõe, pelo aluno, o uso de diferentes habilidades, como avaliar a situação de comunicação - quem são os interlocutores, o propósito do texto, seu conteúdo temático, o objetivo em mente, os efeitos que se pretende alcançar, o gênero de discurso em cena - selecionar a variedade de língua que se mostra eficaz à situação de comunicação, o estilo a ser empregado, e planificar o texto. Em outras palavras, o que está em jogo são os saberes ou os conhecimentos relativos aos modos de agir discursivamente em uma comunidade.

- É preocupante que grande parte dos textos produzidos em vestibular dá-nos um retrato das práticas de escrita no mundo escolar: são esvaziadas de sentido, pois não remetem a situações de escrita que se aproximam das práticas discursivas de nossa sociedade. Os candidatos parecem não lidar, no curso de sua produção escrita, com um projeto de dizer, traçado, muitas vezes, na proposição da tarefa - diz Jane Quintiliano.

Everaldo Pinheiro, professor de literatura da Universidade São Judas Tadeu, lamenta os analfabetos funcionais.

- Os alunos escrevem e leem, mas não interpretam o que leem e não dão sentido ao que escrevem. A função do Enem é forçar as escolas a uma postura de eficiência no conhecimento da língua portuguesa e de sua estrutura - explica.

A falta de compreensão e os problemas de desenvolvimento textuais têm sido graves, diz Carlos Augusto Andrade, pró-reitor de graduação da Universidade Cruzeiro do Sul.

- Há redações que não traduzem o mínimo de coerência e pertinência ao tema proposto. Muitas são escritas numa variante coloquial, com incidência da modalidade oral e não respeitando o contexto de produção que exige linguagem mais apurada. Percebe-se falta de conhecimento de mundo e os conhecimentos de estruturação textuais - explica.

Dificuldades

O reitor da Universidade de Sorocaba, Aldo Vannucchi, coleciona exemplos de tropeços em vestibulares. Há muitas marcas da oralidade (treis, vamo...); dificuldade de distinguir os gêneros dos textos (descritivo, narrativo, dissertativo); de organizar e dar coesão ao texto.

- Os candidatos revelam, em geral, dificuldades no domínio das regras da norma culta. Na redação, faltam aprofundamento do tema, concatenação dos parágrafos e pontuação. Poucos alunos reveem, corrigem e aprimoram o que escrevem - diz.

Antonio Carlos Xavier, da UFPE, fez pesquisa, em 2005, com um grupo de 50 professores de português, pois acreditava que muitos deles não dominavam aquilo que ensinavam: a produção de texto. - Descobri que a falta de prática levou muitos deles a perder a habilidade de escrever. Grande parte dos nossos universitários sai dos cursos de letras e pedagogia sem dominar aquilo que lecionam e essa falha se perpetua em toda a sua vida profissional. A consequência é o excesso de aulas de gramática e os escassos momentos para a produção de texto. Quando solicitada, faz-se de forma inadequada, instruindo o aluno a escrever sobre um tema às vezes desconhecido para ele. A escrita não é precedida por uma discussão oral sobre o tema nem pela leitura de textos que o abordem. É preciso subsidiar o aluno de informação para que possa construir um texto com um mínimo de qualidade, pertinência e relevância - explica.

Investimentos

Para Roberto Baronas, professor do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é necessário um investimento político e financeiro na formação não apenas continuada, mas, principalmente, permanente dos nossos professores. Esse investimento implicaria, por exemplo, mobilizar de forma efetiva as contribuições das mais diversas ciências da linguagem para se pensar o ensino de português e de redação na escola.

- Enquanto a escola estiver presa a uma abordagem estritamente gramatical, que não considera o uso e o funcionamento discursivo da língua, nossos alunos continuarão com baixo desempenho escolar - afirma.

Reestruturação

Professora do curso de Letras da Universidade Anhembi Morumbi, Débora Malletezarim de Angelo concorda que é preciso haver uma maior valorização da categoria.

- Valorizar a profissão de professor e formar profissionais dispostos a estudar sempre, e não apenas no período da graduação, é uma das formas de melhorar a qualidade do ensino nas escolas - afirma.

Segundo o MEC, reestruturar o Enem para usá-lo como prova unificada evidencia o papel que o exame já cumpre. Em 11 edições, a procura pelo Enem subiu de 150 mil para mais de 4 milhões de inscritos, sendo que mais de 70% dos participantes afirmam que fazem a prova com o objetivo maior de chegar à faculdade.

Um inconveniente que o MEC quer contornar com o novo modelo é a descentralização dos processos seletivos, que favorece candidatos com maior poder aquisitivo, capazes de diversificar suas opções na disputa por uma vaga. Por outro lado, restringe a capacidade de recrutamento pelas universidades públicas, desfavorecendo aquelas localizadas em centros menores. Outra característica nociva do vestibular tradicional é a maneira como ele acaba por orientar o currículo do ensino médio.

Se a iniciativa do MEC terá adesão de todas as instituições, é cedo para dizer. Seja qual for o futuro do exame, dizem os especialistas, os temas de português e a redação serão alvo de atenção redobrada e mudanças, que têm tudo para ser benéficas.

Fonte: http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11819

A relação entre os estudantes e a internet


O TV Jornal Meio Dia exibe série de reportagens especiais, desta terça-feira (11) até a sexta (14), sobre o papel e a influência da internet na vida dos estudantes pernambucanos.

Fonte: JC Online

MEC também divulga notícias pelo twitter



As principais informações do Ministério da Educação agora também poderão ser acompanhadas pelo twitter. As publicações do portal do MEC na internet já podem ser acessadas no novo espaço criado pelo ministério. A ferramenta trará as principais notícias e informações publicadas no Portal MEC, além de links para vídeos publicitários, institucionais, transmissões ao vivo da TV MEC e atualizações da Rede de Comunicadores da Educação.

O twitter é a primeira iniciativa do Ministério da Educação para levar ao grande público as principais novidades da pasta no ambiente de redes sociais da internet. A nova forma de comunicação se soma ao Portal MEC, reformulado em março deste ano, como mais uma opção em tempo real, para garantir a divulgação de ações da educação brasileira no ambiente virtual da internet.

As notícia e informações podem ser acessadas no twitter do Ministério da Educação.

Fonte: MEC

5 de agosto de 2009

E-books Readers em alta.


Sony lançará novos modelos de livros eletrônicos

A japonesa Sony está a ponto de lançar dois novos modelos de livros eletrônicos,
visando ao mercado americano
Imagem: John Macdougall / AFP Photo


A japonesa Sony está a ponto de lançar dois novos modelos de livros eletrônicos, visando ao mercado americano, dominado pelo distribuidor na Internet Amazon e seu Kindle, informa nesta terça-feira o Wall Street Journal.


Sony lançará um modelo de livro eletrônico "de bolso", de 199 dólares, e outro, de 299 dólares, dotado de uma tela tátil, revela o site do Wall Street Journal. A versão clássica do Kindle, que não tem tela tátil, também é vendida a 299 dólares, após reduzir seu preço há algumas semanas.


Amazon vende ainda um livro eletrônico maior, adaptado especialmente para a leitura de textos universitários e jornais. Os novos modelos da Sony estarão à venda nos Estados Unidos a partir de agosto, nas redes de lojas como BestBuy e Wal-Mart, enquanto o Kindle é vendido exclusivamente na Internet.


Fontes:
Da AFP paris
Publicado no Pernambuco.com

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2 de agosto de 2009

Empresas de Pernambuco criam leitor eletrônico de livros 100% nacional

Os primeiros aparelhos deverão ser comercializados a partir de junho de 2010 com custos entre R$ 650,00 e R$ 1.100,00 para o consumidor final

Um leitor eletrônico de livros com tecnologia de software 100% nacional. Esta é a proposta do Mix Leitor D, protótipo de aparelho criado pela Mix Tecnologia em parceria com a Carpe Diem Edições e Produções, ambas empresas pernambucanas. Trata-se do primeiro produto nacional com patente requerida no segmento de e-readers. Um diferencial do produto é uma exclusiva ferramenta educacional. Os primeiros aparelhos deverão ser comercializados a partir de junho de 2010 com custos entre R$ 650,00 e R$ 1.100,00 para o consumidor final, a depender do modelo escolhido: Básico ou Premium.

O protótipo, que será desenvolvido com tecnologia e softwares aplicados à realidade nacional, terá como principal diferencial o fato de ser híbrido: além de possibilitar a aquisição de conteúdo por meio de portal próprio, o Mix Leitor D irá oferecer aos usuários acesso aberto à Internet, tornando o equipamento pioneiro em relação à permissão para que os usuários de e-readers possam fazer downloads de obras públicas na rede, considerada hoje a maior biblioteca no mundo. Outro diferencial do Mix Leitor D, entretanto, é o recurso Interquiz, uma ferramenta que fornece ao usuário perguntas, respostas e comentários sobre o assunto que está sendo consultado.

As patentes para o protótipo do Mix Leitor D já foram solicitadas junto ao European Patent Office e a outros órgãos. As perspectivas são boas e o Mix Leitor D deverá ser lançado em mercado nacional em 2010. Na ocasião, deverão ser lançados dois modelos: um básico e um Premium. A capacidade de armazenamento dos aparelhos – que irão pesar 400g – será entre 1GB e 4GB. No Mix Leitor-D Básico, o equipamento poderá armazenar algumas centenas de livros. Já o Mix Leitor-D Premium poderá armazenar até 1.500 livros.

As dimensões do equipamento serão de 10cmx15cm e irão comportar uma tela de seis polegadas. Para os amantes de literatura, a interface promete ser simples e diferenciada: a tela também possui tecnologia E-Link, que não encandeia o leitor, tornando a leitura confortável mesmo sob um sol causticante. A Carpe Diem já vem negociando, junto a algumas editoras, o fornecimento de conteúdo para o Mix Leitor D.

Os livros eletrônicos são uma tendência sem volta e em curva ascendente. Resta agora esperar para ver se a revolução eletrônica literária irá ou não decretar o fim do livro em papel tal como o conhecemos.

Fonte: O POVO Online